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Há uma armadilha em Versalhes: a maioria dos visitantes vai direto para o palácio, enfrenta duas horas de fila, atravessa rapidamente a Galeria dos Espelhos num corredor de cotovelos e sai convencida de que viu Versalhes. Não viu. Os jardins — treze quilômetros quadrados de geometria absoluta, o manifesto estético do absolutismo real — são o verdadeiro espetáculo.
André Le Nôtre levou 40 anos para criar este jardim. Cada bosquete tem uma história, cada fonte um programa iconográfico, cada perspectiva um cálculo. Luís XIV era o Sol — e o jardim era o sistema solar em torno dele, as estrelas do poder dispostas em órbitas cuidadosamente calculadas. Hoje, quando as fontes musicais cantam aos sábados e domingos de primavera e verão, é possível entender por que o mundo inteiro invejava Versalhes. A natureza domada pela vontade humana — e a vontade humana a serviço da beleza.
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