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Paris foi fundada por causa do Sena. Os Parisii — povo celta de pescadores que deram nome à cidade — escolheram a ilha central do rio para um assentamento defensivo dois mil anos atrás. Desde então, o rio nunca parou de trabalhar: transportou a pedra que construiu Notre-Dame, a madeira que aqueceu o Louvre, o vinho que a cidade consumia em quantidades medievais. Victor Hugo escreveu que Paris e o Sena eram inseparáveis — a cidade era apenas a beira d'água do rio.
De bordo, tudo muda de escala. As fachadas dos quais que de terra parecem muros se tornam palacianas. O Pont Neuf — a ponte mais antiga de Paris, inaugurada em 1607 — revela suas 12 arcadas e os 384 mascarões que decoram os parapeitos, cada um com um rosto diferente. Notre-Dame aparece de perfil, os arcobotantes flutuando sobre o abside como asas de pedra. O Musée d'Orsay se revela pela fachada sobre o rio — a estação de ferro e vidro de 1900 que virou o maior museu de arte impressionista do mundo.
Stéphanie faz o cruzeiro ao fim da tarde, quando a luz dourada do Sena está no melhor ângulo, e explica o que passa pela janela d'água com o contexto que transforma uma paisagem em história.
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