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O Marais é o único grande bairro de Paris que Haussmann não destruiu. Enquanto o Barão rasgava boulevards pela cidade, o Marais ficou para trás — economicamente marginalizado, socialmente esquecido — e sobreviveu. É por isso que aqui ainda existem hôtels particuliers do século XVII, sinagogas do século XIX, vielas medievais onde um boulanger convive com uma galeria de arte contemporânea.
A Place des Vosges — a mais antiga praça de Paris, inaugurada por Henrique IV em 1612 — é o coração do bairro. Victor Hugo viveu no número 6. Richelieu residia aqui. Mais tarde, quase três séculos depois, Simone de Beauvoir escrevia em um apartamento próximo. O Marais tem essa capacidade estranha de condensar séculos de história num único passeio.
Hoje é também o bairro judaico (Rue des Rosiers, as falafel que fizeram fama), o bairro LGBTQ+ de Paris, o bairro das marcas mais criativas da moda francesa. Três identidades que convivem numa mesma rua sem contradição.
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